O ensemble Favola d’Argo, sediado na cidade do Porto, é composto por jovens músicos provenientes de Portugal, Espanha e Itália, todos especializados na interpretação histórica da Música Antiga em alguns dos mais importantes centros europeus (Escuela Superior de Música de Cataluña, Escola Superior de Música, Artes e Espetáculo do Porto, Conservatorio di San Pietro a Majella di Napoli, Scuola Civica di Musica di Milano, Haute École de Musique de Genève, Royal Academy of Music de Londres), que se congregaram no intuito de resgatar e trazer ao conhecimento de um público amplo e exigente o riquíssimo repertório comum ao espaço musical e artístico íbero-italiano, com especial atenção aquele de raiz napolitana.

 

O nome Favola d’Argo inspira-se na mítica viagem dos Argonautas a bordo da nau Argo, dentre cujos heróis e semideuses encontrava-se Orfeu, que cadenciava os remos valendo-se do dom da música que lhe fora conferido pelo pai – Apolo, dissuadindo igualmente os navegantes de deixar-se seduzir pelo canto das sereias. A sereia Partenope, por sua vez, que, a exemplo de Orfeu, também tangia a lira, fundaria a cidade da música, que na origem tomar-lhe-ia o nome, para converter-se mais tarde em Nápoles. Segundo outro mito sobre os Argonautas, Hércules igualmente integrava a expedição comandada por Jasão, por quem fora encarregue de buscar a Barca Nona que se havia desgarrado da frota em função de uma tempestade, aportando náufraga à costa da Catalunha, onde o filho de Zeus fundaria a cidade de Barcelona. Ao herói ainda é atribuída a separação dos dois rochedos – monte Calpe (Espanha) e monte Ábila (África) – conhecidos posteriormente como colunas de Hércules, que abriria a passagem do Mediterrâneo ao Atlântico.

 

Favola d’Argo evoca metaforicamente os mitos em torno de Argo: a música cadenciada dos remos de Orfeu, que Partenope leva a Nápoles e que a bravura de Hércules aporta à Península Ibérica, deixando-lhe abertos os caminhos a Portugal e ao novo mundo.

Mais informações em: www.favoladargo.com

Alemmares Ensemble
dir. Rodrigo Teodoro
 

A descoberta do ouro e dos diamantes na Capitania Geral das Minas Gerais, na América Portuguesa, favoreceu uma rápida urbanização de suas vilas, possibilitando uma pujante criação artística autóctone a partir da aclimatação das matrizes portuguesas na qual a música exerceu um papel fulcral nas festividades civis e religiosas. Notadamente a partir de meados do séc. XVIII é notável o número de músicos mulatos a serviço das principais irmandades religiosas, que nos legaram um vasto acervo de obras, conservado em cidades como Mariana, Ouro Preto, São João del Rey, entre outras. No caso da Capitania de São Paulo, destaca-se a actividade desenvolvida a partir de 1774 pelo compositor português André da Silva Gomes, quem acedera ao magistério de capela da Sé paulista, posto que ocuparia por longos setenta anos de profícua produção e notável influência ao nível do gosto musical local. O reportório apresentado pelo ALEMMARES ensemble, sob a direcção do maestro Rodrigo Teodoro, contempla a música produzida ao longo do século XVIII e primeiras décadas do XIX na rica Capitania Geral das Minas Gerais, colocando em valor obras de inegável qualidade artística, executada por músicos especializados em interpretação histórica da Música Antiga.

 

Ciclo de Concertos do Museu da Música
Lisboa 2011-2012

Desde 2009, o Ciclo de Concertos do Museu da Música tem promovido diversos concertos no âmbito da música íbero-americana com o objectivo de divulgar o importante património organológico conservado no Museu e resgatar obras musicais de compositores íbero-americanos ou que tiveram influência na música produzida na Ibero-América. Entre os anos de 2011 e 2012, a Tagus-Atlanticus Associação Cultural assumiu a direcção da série que ofereceu três concertos ao público. Nesse sentido, o cravista francês Bruno Forst interpretou obras de Antonio Soler e Carlos Seixas no magnífico cravo de Joaquim Antunes (1758), em duo com as castanholas a cargo da especialista espanhola Mercedez Rubio Condado. Essa inusitada interpretação foi um completo sucesso de público, tendo excedido a capacidade do Museu para a ocasião. O ultimo concerto do ano de 2011 ficou a cargo do cravista Bruno Procópio. Brasileiro radicado em Paris, Procópio tem recebido grandes elogios por parte da crítica especializada não somente em França como em outros países Europeus. Em 2012, foi a vez do multi-instrumentista asturiano Hector Braga, que ofereceu um memorável concerto voltado ao repertório tradicional do norte de Espanha.